Fig. 10- Realização de incisões com fragmento de cuia.












Fig. 11- Aplicação de engobe (argila diluída em água).
















Fig. 12- Queima da peça com casca de árvore.


Executada após a queima, a pintura é uma forma decorativa de ampla ocorrência, apresentando uma grande variedade entre os grupos. Esses padrões podem se revestir de conteúdos simbólicos ou ter apenas sentido estético. Nesta atividade, a divisão de trabalho já não é tão rígida, dela participando, segundo o grupo, homens e mulheres, adultos e crianças, casados e solteiros. As tintas utilizadas variam de acordo com a disponibilidade local; podem ser de origem orgânica (pigmentos vegetais como urucu e jenipapo) ou inorgânica (pigmentos minerais como a hematita e o caulim). As tonalidades empregadas são basicamente o vermelho, preto, branco e amarelo. Como pincéis são usados primordialmente os dedos e pequenos estiletes envolvidos em uma das extremidades com chumaços de algodão – mais raramente são utilizados penas, talos de vegetais e cabelo.
Na decoração, a artesã dispõe de maior ou menor liberdade para a escolha dos motivos. Por maior que seja sua autonomia, ela é cercada por cânones culturais do grupo, expondo-se a crítica ao afastar-se deles. A sua marca pessoal, no entanto, fica impressa no seu trabalho. A aplicação de resinas é também muito freqüente na cerâmica indígena brasileira. Em alguns casos precede a pintura, atuando como elemento protetor, em outros, é aplicada logo após a queima. Normalmente a resina é pulverizada e lançada sobre a superfície ainda quente do vasilhame; isto tem efeito impermeabilizante, obedecendo a finalidades utilitárias e decorativas. Após todas essas etapas, o recipiente é lavado sendo a partir daí considerado pronto para o uso. Em geral, os grupos indígenas admitem ter recebido o conhecimento da tecnologia cerâmica de povos vizinhas, sendo que algumas atribuem o conhecimento da técnica a uma entidade criadora.
Índios Waurá

Seguindo a classificação estabelecida por Galvão (1960) em áreas culturais, destacamos a Área V - Alto Xingu, evidenciando a produção de cerâmica dos povos indígenas Waurá que se sobressai dentro do grupo por conta da alta produção. Confeccionam também arte plumária, cestaria e máscaras usadas em rituais. Para a cerâmica fabricam basicamente “três categorias de vasilhames: panelas (muito grandes, médias e muito pequenas), vasos zoormorfos e vasos de pequenas dimensões” (p. 209). E ainda tem as panelas utilizadas nos rituais, como o de furação das orelhas dos meninos.
As panelas grandes são multifuncionais sendo utilizadas no processamento da mandioca, no preparo de alimentos à base de milho e ainda servem para depositar água e armazenar objetos menores. As médias são utilizadas para guardar mandioca e transportar água. Enquanto que as pequenas servem para o preparo de peixes e armazenamento de sementes.
São utilizadas pelas mulheres para distribuir a comida, assim também para guardar alimentos como gafanhotos torrado, milho assado e pequenos frutos silvestres.
As representações zoomorfas utilizadas são escolhidas pelo grupo que as julga como adequadas, por exemplo, peixes, tatus, coatis, pacas e algumas outras. Enquanto que as cobras, cachorros e onças são tidos como inconvenientes ou mesmo são proibidas. A decoração aplicada apresenta as mesmas características das outras panelas.




Fig. 13- Panelas grandes (mapukúlo). Acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia- Bahia. Foto: Ana Cláudia Santos.16/08/2007.



Fig. 14- Panela média(nukatsãe). Acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia - Bahia. Foto: Ana Cláudia Santos. 16/08/2007.






















Fig. 15- Panela pequena (nukatsãesãe). Acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia - Bahia. Foto: Ana Cláudia Santos. 16/08/2007.









Fig. 16- Panela Y'anapô. Acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia - Bahia. Foto: Ana Cláudia Santos. 16/08/2007.



Fig. 17-Vasos zoomorfos. Acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia - Bahia. Foto: Ana Cláudia Santos. 16/08/2007.







Fig. 18- Vasos zoomorfos e vasos de pequenas dimensões. Acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia - Bahia. Foto: Ana Cláudia Santos. 16/08/2007.



As panelas são decoradas externamente com grafismos geométricos, losangos, triângulos, círculos entre outros. Recebem primeiramente uma pintura que é feita com barro e urucu cozidos ao fogo que dá o tom avermelhado. Os grafismos são em tons escuros obtidos da casca de arbusto (Myrtaceae) que produz uma substância marrom. Esse líquido também é aplicado na decoração interna.